sábado, 3 de março de 2012

Capítulo 2

            - Mãe, eu estou bem, a sério. – Tentou Laura acalmar a preocupação da mãe.
Sofia Preston era uma mulher que enfrentava a vida de frente, sem rodeios. Quando precisava de falar falava, e não tinha problemas em mostrar o que sentia. Até conhecer o pai de Laura, já tinha sido casada e tinha tido um filho, Edward. Porém esse casamento não durou mais que um ano, as discussões eram insuportáveis, e quando não estavam a discutir, não se falavam. Passados onze meses de casamento, o pai da criança abandonou-a com o filho bebé para criar sozinha. Passados três anos Sofia conheceu Nicholas Preston, um homem bondoso e trabalhador que lhe deu a mão, quando ela precisou, sem a conhecer direito e sem segundas intenções. Mas foi inevitável, apaixonaram-se um pelo outro e desse amor nasceram Laura e Nora. Casaram-se e até então estão juntos e com uma família linda. Ambos construíram um negócio que correu bem e deu conforto à família.
Embora já tenha sofrido bastante Sofia não deixou de se preocupar com os filhos e quando algum estava a ir por um mau caminho era o seu dever apanhá-lo na sua queda, mas principalmente, evitar essa queda e era precisamente isso que estava a tentar fazer neste momento.
 - Tu trabalhas demais Laura! Já todos percebemos isso menos tu, filha. Um dia destes acabas como a Loretta, numa cama de hospital com uma Úlcera no estômago.
         - Credo mãe! Estás a exagerar, aliás eu passei a minha vida toda a ver-te a ti e ao pai a trabalharem dias a fio para estarem como estão hoje e nunca tiveram nenhum problema.
         - Mas nós abrandávamos o ritmo quando víamos que já era de mais, e tirávamos férias de vez em quando para relaxarmos, tu devias fazer o mesmo.
         - Mas eu não tenho tempo… E também o que é que eu ia fazer se estivesse de férias? Provavelmente ia ficar todo o dia em casa e voltaria a trabalhar.
         - Podias vir connosco passar a semana fora… A Nora e o Edward também vêm.
         - E vão para onde?
         - Cape Road.
 - Ca…Ca…Cape Road?! - Laura quase que se engasgava com a surpresa.
         - Filha, eu sei que o que se passou e lamento muito, mas o Liam provavelmente já nem está lá. Já foi à tanto tempo… Tens de conseguir seguir em frente, e evitares voltar à tua terra natal não é o melhor caminho.
 - Eu não tenho problemas em voltar a Cape Road. Como tu disses-te já se passou bastante tempo e eu já segui em frente. Tenho de ir, depois eu dou-te a resposta. Diz ao pai que eu mando beijinhos.
 - Laura, pensa bem, partimos no sábado. Cuida-te.
Mas como é que o nome de uma pequena cidade perdida no mapa conseguia provocar nela tantas emoções diferentes? No momento em que a mãe disse aquela palavra, o seu coração parou por um momento, para no momento a seguir entrar numa corrida contra si próprio como se quisesse sair para fora a todo o custo.
Conseguiu controlar as suas emoções até deixar a mãe, uma vez sozinha, as lágrimas inundaram o seu rosto como no dia em que abandonou Liam à treze anos atrás. Depois de tantos anos ele ainda era uma parte muito presente e viva nela. “Ele provavelmente já deve ter uma família e vive feliz sem mim”, era o que dizia a si própria, mas o que mais desejava que não tivesse acontecido.
Mas já era altura de seguir com a sua vida e se desprender dele e a melhor maneira para isso acontecer era voltar a Cape Road. Naquele preciso momento e para não perder a coragem decidiu ligar à mãe.  


Marina Pinho

5 comentários:

  1. Muito obrigada Marina! Desejo-te igual sorte :)

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  2. obrigada marina! :)
    escreves tão bem, adorei ♥

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  3. oh, a sério? então isso é muito bom :)
    espero bem que a nossa felicidade não acabe!

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  4. adorei o blog, escreves muito bem :)
    estou a seguir*

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