sábado, 17 de março de 2012

Capítulo 4

Estava tudo espalhado pela cama e pelo chão, nem parecia dela. Sempre fora uma pessoa que odiava a desarrumação e ali estava ela, no meio da sua própria confusão. Quando é que se tornara tão indecisa daquela maneira? Não o queria admitir, mas ela sabia que era pelas circunstâncias em que se encontrava.  
Provavelmente iria tornar a ver Liam, só de pensar nele o seu coração disparava. Não sabia o que levar, o que vestir, se levava muito ou se não levava nada. 
         Num momento estava bem e a tentar decidir o que levar, e no outro estava no chão do seu quarto a chorar desalmadamente e a soluçar como já à muito tempo não fazia. Liam era um ponto sensível nela, uma ferida por cicatrizar. Todos estes anos a imaginar como seria voltar a vê-lo e ali estava a oportunidade para o fazer, estava a ser empurrada pelo destino na sua direção. Agora só a ela cabia decidir se se deixava levar pelo que a vida lhe reservava, ou se lutaria contra ela e prosseguiria a sua vida, tentando sobreviver.

***
- Ela já não vem Sofia.
Nicholas tentava acalmar a mulher. Amava-a mais que tudo e por ela era capaz de tudo. Desde a primeira vez que a olhou nos olhos e viu o desespero daquele rosto com um bebé no colo, ficou apaixonado. Não sabe bem o porquê, mas não foi capaz de a abandonar desde então e de, secretamente, agradecer ao homem que um dia a fez sofrer tanto pois assim teve a oportunidade de a conhecer.
 - Vamos esperar mais um pouco, Nick. Ela disse que vinha, pode só estar atrasada.
 - Esta bem, mas não nos podemos demorar a sair. Temos no máximo mais dez minutos.
 - Espero que chegue.
 - Eu também. Vou chamar os miúdos.
Sofia tentou ligar, de novo, para Laura, na esperança que desta vez ela atendesse, mas foi uma tentativa em vão.
Nora e Edward apareceram no mesmo instante em que o Mini de Laura dobrou a esquina da mansão Preston. Aquela casa podia ser chamada de mansão. Era grande e com um magnífico jardim, cheio de memórias. Laura, ainda hoje sente saudades do cheiro característico no seu lar.
- Olá maninha! – Edward presenteou Laura com um sorriso capaz de fazer parar qualquer coração.
Ele era um daqueles homens que estavam destinados a arrasarem corações, sem se aperceber. Era inteligente e divertido, sempre pronto a ajudar qualquer pessoa que necessita-se. Laura não conseguia compreender como é que ele ainda não tinha namorada.
 - Pensava que já não vinhas. – Nora quase que esmagou a irmã com aquele abraço.
         - Olá Edward! Nora… não consigo… respirar…
         - Oh desculpa! Foi sem querer. Já não te vejo há tanto tempo!
Nora era uma jovem adulta loira e amorosa, mas porém perigosa. Quando queria alguma coisa lutava por ela, e não desistia até a ter. Já tinha sido “cantada” por muitos homens famintos por alguns minutos de prazer, mas ela nunca se deixou levar pelas suas investidas.
 - Olá mãe, pai. Desculpem o atraso, mas ainda tive de passar pela revista para deixar alguns artigos que eles possam usar durante a minha ausência.
 - Nem de férias paras de trabalhar? Como consegues?
         - Não quero que os leitores sintam a minha falta, Edward.
         - Vá, meninos todos para o carro, já estamos atrasados. Laura, a tua bagagem?
         - Está aqui.
         - Só vais levar isso?
 - Tenho comigo tudo o que preciso.
Dez minutos depois já estavam na estrada, prontos para voltar ao sítio que um dia ousaram abandonar.
 Laura em sabia o que a esperava.

Marina Pinho

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